CEAP, a escola da família

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR

4º Lugar - 8ª Série


Uma Lição de Vida

Gabriela Eidt Seidler


Vou contar uma história com o auxílio do meu avô Guilherme Seidler Filho, que estudou no CEAP no período de 1949 a 1957. Ele fez todo o ensino fundamental nesta escola que na época eram 9 anos. O meu pai também estudou no CEAP, ele cursou todo o ensino fundamental e todo o ensino médio. Hoje, a terceira geração da família está presente na escola, pois eu estou concluindo o último ano do ensino fundamental, e frequentei todo ele no CEAP. No ano em que o CEAP comemora 110 anos de existência, quero contar esta história para mostrar as diferenças do modo de vida daquela época do meu avô e dos tempos atuais.

Estamos no ano de 2009, e tenho vários colegas que moram em cidades próximas como Catuípe e Ajuricaba. Eles vêm todos os dias para Ijuí de carro com seus pais ou de ônibus para frequentar a escola e voltam sempre para sua cidade, inclusive podendo almoçar em suas casas. Hoje, temos boas estradas asfaltadas, carros e ônibus confortáveis e rápidos.

Antigamente, na década de 50, o meu avô relatou que isso não era possível, pois não havia ônibus de linha que fizesse o trajeto diário e em vários horários, como acontece hoje. Então, quem morava fora de Ijuí tinha que ficar parando em pensões, no internato do CEAP, que abrigava muitos alunos de ambos os sexos ou na casa de familiares durante a semana, podendo visitar seus pais somente no fim de semana. Também contou que não havia ônibus de linha na cidade de Ijuí para fazer o trajeto dos bairros para o centro e das localidades do interior do município para o centro da cidade. E poucas famílias tinham automóvel naquele tempo. Além disso, as estradas não tinham calçamento nem asfalto. Eram estradas precárias.

Muitos colegas de meu avô moravam em localidades situadas no interior do município, e pelas razões citadas anteriormente, o meio de transporte utilizado por estes colegas era o cavalo. Ele citou três casos de colegas que moravam perto da Usina Velha e na Linha 5 Oeste, que ficam distantes 5 a 10 km do centro da cidade.

Dois irmãos de sobrenome Michael e outro colega de sobrenome Timm vinham todos os dias de cavalo, enfrentando a dificuldade da estrada ruim e a demora no deslocamento, pois levavam entre uma hora e uma hora e meia para chegar à escola. Eles precisavam acordar de madrugada, tomar café, preparar o cavalo para partir e cavalgar, cavalgar muito até chegar ao destino. Quando chegavam, atavam o cavalo na Rua José Bonifácio, onde atualmente é a loja Redemac e precisavam dar água e comida para eles durante o dia, pois os colegas retornavam apenas no final da tarde para suas casas.

Estes colegas traziam lanches prontos de casa para o almoço, pois ficavam na escola no horário do meio-dia, já que não era possível fazer sua refeição em casa. Mesmo nos dias de chuva e de frio intenso esses alunos vinham para a escola de cavalo. Ouvindo este fato curioso, chego à conclusão de como eram difíceis aqueles tempos, e de como estes alunos valorizavam o estudo, não medindo esforços e fazendo sacrifícios para concluir o Ensino Fundamental, pois os relatos destes acontecimentos referem-se a meninos de 10 a 13 anos de idade. Estas histórias são interessantes e relevantes, fazendo com que a gente reflita sobre as queixas que fazemos sobre pequenas coisas, quando hoje temos muita comodidade, e décadas atrás nossos antepassados nos deram a lição de que lutavam muito para alcançar os seus objetivos.

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