Fernando Schaffazick
Quarta-feira, um recreio normal como qualquer outro. Há alguns dias havia ocorrido o dramático óbito do famoso cantor Michael Jackson, o rei do pop. Como numa homenagem ao grande astro, foi colocada nas caixas de som a música Thriller.
Como sempre, eu não estava no pátio, eu estava vasculhando os corredores da escola. De repente, ouço aquela música e em seguida muitos gritos. Curioso, me dirigi até o local para ver o que estava ocorrendo. Cheguei lá e me deparei com uma multidão olhando fixamente para um ponto no meio do pátio. No momento até pensei brincando: “Romário...”. Aproximei-me, e com o que vi em seguida meu pensamento se confirmou. Lá estava ele, o Romário, um dos alunos mais criticados pelos colegas, na sala de aula, dançando os passos de Michael Jackson (tal como o moonwalker) no meio do pátio e daquela multidão ao ritmo de Thriller. Muitas câmeras e celulares apontadas para o que podia ser o mais novo grande astro da escola.
Mas o Romário não apenas imitou o rei do pop, como também acrescentou alguns novos passos, tal como pulos e outros mais.
De repente, a música acabou e o Romário foi para seu canto. Tudo voltou ao normal e o sinal tocou, fazendo todos voltarem a suas salas. Mas não acabou aí, Romário ainda foi aplaudido por toda a passagem pelo corredor. Foi um sucesso.
No dia seguinte, em minhas passadas com meus amigos pelos corredores da escola, Romário veio até mim todo encapuzado e disfarçado para ninguém reconhecê-lo, pedindo ajuda para se esconder. Nós aceitamos e o levamos para o segundo andar do auditório, onde ele ficou o recreio inteiro deitado no meio das cadeiras se escondendo da pequena multidão de pessoas que queriam ver seus passos novamente. Nesse tempo em que ficou escondido, muitas pessoas passaram por lá procurando-o. Tivemos que despistá-las a pedido dele
Em uma das vezes em que apareceram pessoas o procurando, levamos essas pessoas para o auditório, pois pensavam que ele estaria atrás das cortinas. Porém, ao invés de o Romário ficar abaixado entre as cadeiras, ele se levantou de um jeito “bem” discreto com aquele “pequeno” tamanho dele e fez “um pouco” de barulho. Meu colega começou a dar risada, entregando-o. Mas, por sorte do Romário, quando as pessoas que o procuravam se aproximaram dele, o sinal tocou e o recreio acabou... Nenhuma apresentação poderia ser feita agora... No corredor de volta à sala, muitas perguntas dirigidas a ele, tal como: “Onde você estava?”.
No dia seguinte, conseguimos convencer o Romário a dançar novamente. Combinamos tudo direitinho. Programamos a música, o chamamos e fomos para o recreio. Quando a música começou, levou mais ou menos um décimo de segundo para a multidão se reunir em volta dele, que começou a dançar os passos de Michael Jackson novamente. Parecia que naquele dia a multidão estava mais animada e havia mais gente. Como no outro episódio, muitas câmeras e celulares apontados para o Romário Jackson, aluno que de “meio excluído” passou a ser popular em um dia e que reavivou a lembrança de nosso querido astro Michael Jackson em nossos corações. Valeu Romário!