CEAP, a escola da família

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR

3º Lugar - 2ª Série


Reminiscências

Eduardo Gheller Heidemann


É impossível escolher uma única história para escrever que tenha acontecido nesses 110 anos de existência do colégio ou mesmo desses 12 anos em que fui aluno. Ainda não sou formado, mas tenho incontáveis anedotas que poderiam servir para completar essa e mais algumas páginas. São histórias engraçadas e outras nem tanto que poderiam levar a uma discussão sobre virtudes, amizade e veracidade. Mais difícil que escrever, é decidir sobre o que escrever, e isso será um pequeno desafio.

Como não gosto de surpresas vou começar pelo final: nós ganhamos. A tradicional dança do Baile do CEAP que voltara esse ano, após um longo período esquecida, será uma daquelas histórias que contarei para os meus netos, sentado em minha cadeira de balanço comprada no mercado de pulgas. Tenho certeza que sentirei saudade em relembrar os tempos de menino, e da sensação de conforto ao caminhar pelos corredores do colégio, cumprimentando todos os funcionários bem como os professores, que sempre estiveram com um dos braços ocupado, segurando pastas pesadas. Mahatma Gandhi uma vez disse que a alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita, mas eu penso que talvez a alegria esteja na vitória e com certeza foi essa que nos motivou a ensaiarmos com garra, repetidas vezes e que nos fez acreditar que venceríamos. Da necessidade, ensaiávamos no salão de festas do edifício de cedido generosamente por uma das colegas, onde repetíamos os mesmos passos das outras semanas e aprendíamos novos, que seriam repetidos nas semanas seguintes.

Na noite do baile, contamos com a presença do nervosismo que nos assombrou até a hora de entrarmos no salão. A insegurança não estava na desconfiança na incapacidade de outro colega porque ao longo dos ensaios fomos adquirindo confiança uns nos outros, mas sim na incapacidade de nós mesmos. A apresentação, sem encontrar palavra melhor para defini-la foi impecável, porém pouco reconhecida, porque às vezes a emoção vence a razão. Com essa experiência, acho que não haverá recompensa maior do que os laços de amizade que naturalmente foram formados ao longo dos meses. Pelo o que vivenciamos, ouso dizer que podemos conhecer facetas, que apenas com anos de amizade se manifestam, em diferentes situações, como nos momentos de alegria, nervosismo e solidariedade.

Quando Maquiavel escreveu em “O Príncipe” que os meios justificam os fins talvez ele desconsiderasse que a injustiça está presente em qualquer lugar. Fizemos tudo certo e nada justificaria um final daqueles porque ficamos na terceira posição, ou seja, perdemos. Arrependimentos, não acredito que alguém os tenha, com pouco dinheiro fizemos as roupas, contratamos os coreógrafos e compramos os acessórios. Naquela noite foi a superação que fez de nós vencedores, a persistência do grupo foi comprovada nas acrobacias difíceis e na sincronia. Nas minhas lembranças ficou a amizade, o orgulho e a certeza que no fundo somos vencedores.

Ao escrever esse texto não procuro reconhecimento ou premiação, escrevo-o como forma de tributo à turma, pela dedicação e parceria, e, ao colégio que pelo que parece, está voltando com antigas tradições que definem sua identidade. Tradições como essa, entusiasmam o aluno, prestigiam a escola e mostram do que somos capazes trabalhando juntos, como uma família.

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