Mônica Brandt
A escola de nossas vidas, à época de nossa infância e adolescência, pode ser apenas uma instituição passageira, responsável por nossa formação. No meu caso, além de ser, desde o início, o lugar que me constituiu socialmente, tornou-se, muitos anos depois, também meu local de trabalho. Nesse hiato de tempo, de 1956 a 1977, passaram-se 21 anos e muita coisa mudou. Mudei eu, mudaram as instituições, mudou o mundo... Eis que, recém formada em Estudos Sociais e de “vocação tardia”, como gosto de definir-me nesse período, já com família constituída e filhos crescidos, recebo o convite para trabalhar com História e Geografia nessa escola que fora, no passado, a dos meus pais, a minha e do meu esposo e, naquele ano do retorno em novas condições, a dos meus três filhos. A Escola que nunca havia deixado de amar: o CEAP.
Desejo de realização pessoal e profissional foram os ingredientes que, regados pelas raízes e pelo envolvimento emocional, se transformaram na essência da educadora em que me transformei: incorrigível na busca da promoção humana traduzida pela fé no potencial do alunado e pela aposta no professor. Sempre acreditei que, nas relações humanas, a convivência deve servir para uma troca em que se possa extrair, mutuamente, o melhor de cada um.
Aprendi a ler e a escrever com Dona Traudy Gressler (que alertou meus pais de minha precoce e severa miopia), amei a História com Pastor Schneider, Pastor Wilson Vilanova e Prof. Armindo Porcher, descobri que levava jeito com as palavras com o Diretor Arno Sommer e com a professora Haidée Neves, cantei no coro e descobri ser até afinada com o Professor Florêncio Berger, lutei com a matemática e, se não lhe perdi a batalha, fiquei próxima disso, aprendi os rudimentos de várias línguas estrangeiras, inclusive do francês e do latim (ainda me emociono com a “Marsellieuse” e até com as cartas de Cícero). Me empolguei com as Ciências Naturais com prof. Richard Steinke. Me senti compreendida pela professora Erica Lilly Linck, que perdi definitiva e lamentavelmente de vista. E fiz amizades eternas; daquelas que não precisam ser regadas para subsistir: elas simplesmente tem raízes profundas e existem para sempre. Já na fase profissional, que iniciei como professora e, posteriormente, exercendo várias funções, vivenciei e participei de muitas transformações pedagógicas. Muito aprendi e, na menção de apenas alguns nomes com quem atuei no início de uma época que revolucionou minha vida, englobo todos aqueles com quem convivi e cresci por anos a fio: Luiz Paulo Mauhs, Lira Winter Garros e Claudete Pereira Gomes (in memorian).
A outras tantas personalidades que foram partícipes da construção pedagógica da Escola, que nunca deixou de ser dinâmica e desafiadora, devo muito, profissional e afetivamente e, embora tentada a mencionar nomes, não o farei para não cometer injustiças. Vi a Escola agigantar-se e adequar-se a novos tempos sem nunca, no entanto, afastar-se de seus princípios ético-luteranos centrados na libertação pelo saber; vi crescer a prática de processos participativos e a passagem de uma escola autoritária para uma escola democrática. Participei de dias de festa e dias de luto; dias de euforia e dias de crise e superação; e de dias, muitos dias, aparentemente, rotineiros.... A História de uma instituição imita as histórias de vida dos sujeitos (ou vice-versa?). Sua trajetória é condicionada pelo contexto e este se apresenta sempre novo, demandando adequações, ajustes e ressignificações. Se tais complexidades não forem entendidas e encaradas de frente, sobrarão apenas queixas e desassossego.
Para espíritos abertos, resilientes e tolerantes, a Escola é o espaço ideal para o exercício da vida plena e digna. Sem falsos ideais de um ministério de sofrimento e doação, mas com a cabeça erguida de quem está fazendo, no miudinho do dia-a-dia, a sua parte. Com erros e acertos, com algumas perdas e com ganhos.
Todos no seu lugar, conquistado e concedido: direção, alunos, professores, equipe pedagógica, pais, funcionários e egressos da instituição. O segundo centenário acha-se a caminho. Os passageiros vão ficando para trás. Mas enquanto houver memória a História não há de diluir-se nas brumas do esquecimento. “C`est la vie”.
07/09 - Feriado Dia da Independência
07/09 - CEAP no Desfile da Pátria
08/09 - Coral Infantil na OASE
9-11/09 - 32ª ATESE
11/09 - Provões atrasados - 8h