Ingrid Priscila Ribeiro Karsburg
A minha história do CEAP – Colégio Evangélico Augusto Pestana, é a história da minha avó, que estudou no CEAP e morou no internato da escola. Minha avó guarda boas recordações do internato feminino, que na época se localizava na Rua 13 de Maio, duas quadras distantes da escola. Ela conta que havia muitas regras que precisavam ser seguidas pelas internas e os horários eram estabelecidos pelo diretor do internato e deviam ser cumpridos de forma obrigatória, caso contrário, vinha o castigo. Havia aula normal pela manhã e nos períodos da tarde e da noite ficavam estipulados horários para estudo. O horário de silencio era pontualmente às 22 horas, o que significava que todas as internas deveriam estar se dirigindo para suas camas porque a supervisora do internato passava de quarto em quarto desejando boa noite e desligando as luzes. Mas elas não queriam dormir ainda e gostavam de fazer uma “bagunça”, e o que fazer para a supervisora não ver a luz acesa no quarto? Pois bem, descobriram uma maneira, colocavam um cobertor bem firme na janela do quarto e podiam fazer suas “festinhas”, com desfile de moda, lanches, conversas, que fizeram das seis internas do quarto da minha avó, cúmplices e amigas até os dias de hoje.
Após o horário de estudo da noite se reuniam para fazer um momento de devoção, quando contavam hinos e faziam orações. Aos sábados à noite iam na reunião da juventude evangélica e nos domingos de manhã também participavam do culto da igreja. Dependendo do filme que estivesse em cartaz na cidade, tinham a oportunidade de ir ao cinema. Uma tarde por semana podiam sair para fazer suas compras, ma sempre acompanhadas pela supervisora do internato, sendo assim, não podiam se separar. Se uma das meninas quisesse ir ao supermercado, por exemplo, todas deveriam ir juntas e foi numa destas noites após terem ido às compras e uma das meninas havia comprado muitas guloseimas, que resolveram colocar novamente o cobertor na janela do quarto após a hora do silêncio e a festa começou com muita conversa, risadas e comilança. De repente a supervisora abriu a porta do quarto e disse para as meninas que estava muito decepcionada com tudo o que estava acontecendo no quarto, deixando as meninas apavoradas, principalmente a minha avó, que naquele momento estava com a sua cama cheia de guloseimas que as colegas foram colocando. Ela ficou muito preocupada com a possibilidade de ser mandada para casa. No outro dia pela manhã, antes do café, foram arrependidas pedir desculpas prometendo que isso não aconteceria novamente e para surpresa e alegria delas, foram desculpadas. Depois de algum tempo, o internato feminino foi transferido para o prédio dos fundos do atual colégio, o que facilitou a locomoção das meninas para suas atividades no colégio. O bom de tudo é que a partir de desta mudança, as meninas o internato feminino começaram a fazer as refeições em conjunto com os meninos do internato masculino.
O que minha avó lembra com saudade, é dos jogos da Primavera quando as internas faziam torcida organizada para os times da escola e cantavam: “Às onze e meia passou um avião e nele estava escrito que o CEAP é campeão.” Mais tarde, a mãe da minha avó começou a trabalhar no internato do CEAP e sempre que podia, minha avó ajudava. Nesta época ela já estava fazendo o curso Técnico de Contabilidade à noite e nos finais de semana ajudava fazendo plantões no internato e também acompanhando as internas nas suas saídas. Um dia, após o almoço o diretor Richard Steinke a chamou perguntou se ela não gostaria de trabalhar na secretária da escola, e ela, com muita alegria, aceitou o serviço. Começou trabalhando na recepção onde atendia os internos, os pais, controlava a venda de uniformes, o pagamento das mensalidades, as retiradas mensais de dinheiro que os pais dos internos deixavam depositado na tesouraria da escola para suas necessidades especiais como compra de livros, materiais, produtos de higiene... Também atendia o telefone e fazia a matrícula de todos os alunos. Depois de alguns anos passou a trabalhar na tesouraria, onde ajudava na contabilidade, departamento pessoal e no pagamento da folha dos professores e funcionários.
Na sua história, ela também menciona os encontros dos ex alunos, professores e funcionários nas comemorações dos 80, 85, 90, 95, 100 anos de CEAP, que marcaram muito as vidas de muitas pessoas que também fizeram a sua história de suas famílias no Colégio Evangélico Augusto Pestana que com certeza fez toda a diferença nas suas vidas. A minha avó trabalha até hoje na tesouraria da escola completando 37 anos de serviço e tem co CEAP como se fosse a sua própria casa, ela disse que se realizou neste trabalho e está muito feliz por fazer parte da Escola da Família, o CEAP. Ela se chama Clarice Ruwer.