Mariana Parcianello Roehrs
Muitas vezes não nos damos por conta da importância das pequenas histórias que ocorrem em nossas vidas e depois que elas acontecem percebemos o quanto elas foram importantes para nós. Uma dessas histórias que parecia sem importância na época aconteceu em meados da década de trinta. Uma história de amor, no Colégio Evangélico Augusto Pestana. Os protagonistas são meus avós, Ilse e Herald Rohers, colegas de aula na época, hoje marido e mulher. Minha avó conta que era muito tímida na sala de aula, diferente das garotas da cidade, ela morava com seus pais na colônia e para chegar à escola enfrentava quase uma selva. Ela fala que quase todas as meninas de sua turma tinham uma quedinha pelo meu avô, ela não confessava em voz alta, mas também sentia um grande interesse pelo “aprontão” da turma. Uma lembrança que a deixou muito nervosa na época foi um teste oral de latim, ela não tinha estudado para ele e quando o professor entrou na sala de aula ela baixou a cabeça e ouviu: “Ilse, você será a primeira a falar todos os pronomes em latim”, resumindo , devido a traumas de sua nota na prova ela sabe até hoje todos os pronomes de cor.
Meu avô afirma que minha avó era a mais bonita das colegas, mesmo sendo um “bicho do mato”. Ele era totalmente ao contrario dela, seguidamente estava de castigo por causa de alguma arte feita no colégio. Uma das vezes que mais se encrencou foi quando quebrou a vara que seu professor ia usar em seu castigo, mas com certeza esse jeito meio maroto chamava a atenção de suas colegas, como minha avó me disse: “seu avô era o bonitão da turma”. Ilse ficava vermelha e com frio na barriga só de pensar em conversar com Harold ou qualquer outro menino e foi isso que chamou a atenção do meu avô. Minha avó tinha contou que muitas meninas tentavam jogar algum charminho para meu avô, mas ela nem olhava para ele, ela pensava: “que absurdo, ficar conversando com meninos, o que os pais dela iam pensar? A escola era um lugar para estudar e só isso”. Então essa menina da colônia foi chamando cada dia mais e mais a atenção de Harald, deixando – o cada vez mais interessado.
Foi durante um jogo de bilboquê ou depois de um pega-pega que meu avô e seus amigos estavam falando sobre Ilse no recreio. Todos sabiam que não tinham chances com ela, afinal ela era uma menina muito reservada e com certeza era muito difícil quebrar aquela barreira de timidez para se aproximar dela. Meu avô , como sempre muito teimoso e positivo, falou para os colegas: “eu aposto que consigo dar um beijo na bochecha dela, vocês vão ver”, os amigos Dele riram, pois sabiam o quanto isso ia ser difícil, afinal a bela Ilse nunca ia deixar acontecer um absurdo desses. Estava tudo planejado, ele ia arrancar um beijo do “bicho do mato” no outro dia, na hora do intervalo que ocorre entre as aulas, no momento em que o sinal tocasse. Ilse não desconfiava de nada, foi pega de surpresa, sentiu alguém a puxando e lá dentro da sala meu avô a roubou um beijo no canto do seu rosto. Ela ficou apavorada, com vergonha e com medo que alguém tivesse visto, empurrou-o e saiu correndo, não conseguiu mais prestar atenção na aula. Ela não o dedurou para direção e nem para os professores, manteve tudo em segredo porque se nãois por ele em uma fria e também ela morreria de vergonha que se mais alguém ficasse sabendo disso. Hoje em dia meu avô fala que ela não o dedou para ninguém porque gostou do beijo. Baquela época eles nem desconfiavam que trocariam de escola, que iriam ficar longe por alguns nos e que depois se reencontrariam. Eles não imaginavam que iriam juntos no primeiro baile da minha avó e principalmente que um dia iriam casar. Com certeza essa é uma história que vale a pena ser contada, sobre dois jovens que se conhecem na escola e que estão juntos até hoje, meu avô e minha avó.