Dionatan André Bringmann
Chamo-me Alisson Roberto Bringmann e sempre adorei a Semana da Escola. Não por causa das atividades e afins, gostava mesmo era de ficar uma semana sem aulas. Mas naquele ano foi diferente, como vocês verão a seguir.
O motivo pelo qual eu não gostava das atividades da Semana da Escola era que a maioria delas envolviam práticas desportivas ou atividades que exigiam preparo físico. Ora, e por que um jovem estudante não gostaria dessas atividades? Porque o estudante em questão sempre foi e continua sendo até o presente um sedentário convicto! Ou, no bom português, preguiçoso mesmo! Contrariando a grande maioria dos alunos, a única matéria que me preocupava e denegria meu boletim escolar com aquela letra horrível, “R”, era educação física! Sim, eu cheguei a viver a época em que o CEAP avaliava seus alunos através de conceitos. Os conceitos eram: MB (Muito Bom), B (Bom), R (Regular) e I (Insuficiente). E no meu boletim sempre tinha um “R” no espaço reservado para o conceito de educação física. Ah, como me recordo das aulas torturantes de educação física! Era todo ano a mesma rotina: um trimestre de aulas de vôlei que mais pareciam tortura chinesa para mim. Depois, um trimestre angustiante de basquete e, para finalizar o ano, mais um longo e interminável trimestre de ginástica olímpica! Nossa, como demoravam para passar aqueles 50 míseros minutos!
Mas, enfim, o assunto é a Semana da Escola. E naquele ano foi diferente. Naquele ano eu fui protagonista! Vou lhes contar a história. O ano era 1995. Como sempre, aquele dia começou com o desfile temático pelas ruas da nossa querida Ijuí, rumo a um parque. Não me lembro qual era o tema da turma naquele longínquo ano do século passado. O desfile transcorreu normalmente, com a cidade parando para ver os alunos orgulhosos do melhor colégio da cidade. Chegando lá ao parque, começaram as atividades esportivas. As mesmas de sempre: corridas, jogos, etc. Quem viu uma, viu todas. Mesmo assim, eu, com o espírito de equipe sempre elevado, torcia com muito entusiasmo pelos meus colegas! Até que o alto falante anunciou: “E para a nossa próxima prova, precisaremos de um casal bom de garfo!” Hum, aquilo realmente era diferente! O alto falante continuou: “A prova consistirá em comer um pão tipo baguete de 50 centímetros! Quem comer mais rápido vence!” Na hora eu vislumbrei a minha oportunidade de fazer realmente parte daquilo tudo! Prontifiquei-me com os líderes da turma: “Deixa comigo!” Eles não levaram fé... Tive que argumentar: “Nisso eu sou bom! Um verdadeiro atleta! Ninguém come mais rápido do que eu!” Depois de alguns segundos de hesitação, todos concordaram. Eu, convicto, agradeci a chance e disse: “Aguardem e confiem!” Não me lembro da colega que participou da prova comigo. Mas lembro bem como era a tarefa: eu ficava sentado em uma cadeira, com as mãos para trás, enquanto a colega tinha que me dar o pão para comer. Se fosse necessário, tinha um copo de água à disposição para ajudar na tarefa e facilitar a digestão daquele meio metro de pão! Assim que foi dada a largada da tarefa, a colega enfiou um pedaço generoso de pão em minha boca. Eu engoli rapidamente e já pedi outro pedaço! Quase no final precisei de um gole de água. Mas, adivinhem? Ganhei a prova com folga! Terminei quase um minuto na frente do segundo colocado! Ah, o doce gosto da vitória! Os tapinhas nas costas! Como era bom aquilo tudo! Não me lembro se a turma venceu a Semana da Escola daquele ano. Só me recordo que finalmente senti o gostinho de participar efetivamente daquela gincana. E querem saber? Foi muito bom!