CEAP, a escola da família

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR

1º Lugar - 7ª Série


Em Busca de um Sonho

Renan Martel


Quando Leonardo Vinicius Petersen (24 anos) estava estudando no 2º ano do Ensino Médio do CEAP ele teve que fazer um projeto escolar com um grupo de colegas. Leonardo tinha assistido ao filme “Céu de Outubro” recentemente. O filme conta a história de um grupo de meninos que se reúne para montar foguetes em miniatura. Com várias tentativas e horas de prática, os garotos conseguem aperfeiçoar a técnica de fazer foguetes, assim eles conquistam um grande público em sua cidade e realizam apresentações de lançamento dos foguetes.

O mentor deste projeto no filme torna-se um engenheiro da NASA e seus amigos conseguem bons empregos relacionados à engenharia. Inspirado neste filme, Leonardo ainda no 1º ano do ensino médio teve a idéia de refazer este projeto e no 2º ano os foguetes começaram a ser projetados. Junto com um grupo de colegas os foguetes começaram a ser projetados e os primeiros passos foram relacionados à aerodinâmica junto com os tubos dos foguetes. Após aperfeiçoarem esta parte do projeto, o grupo começou a desenvolver o motor. O primeiro motor usado foi um motor simples de fogos de artifício. Com este projeto básico dos foguetes, sem auxílio de profissionais, o foguete não subia em linha reta, e sim fazendo curvas. Para fazer os foguetes, o grupo levava as peças a uma funilaria que pertencia ao pai de um dos membros e, após as peças ficarem prontas, eram levadas até o pai de um outro componente do grupo, que soldava as peças e montava o foguete.

O rumo do projeto mudou quando o grupo participou de uma viagem para uma escola perto de Porto Alegre, onde o grupo teve aulas de aerodinâmica de foguetes, Leonardo e seus colegas aprenderam muito nesta viagem e voltaram a Ijuí com novas idéias. Após esta viagem e os novos projetos, o grupo aperfeiçoou os foguetes, que começaram a subir cerca de 150 metros de altitude que devido às mudanças no motor e na carcaça do foguete, melhores condições aerodinâmicas foram obtidas. O grupo percebeu que muitos foguetes estavam sendo perdidos durante os lançamentos, então Leonardo e seus colegas sentiram a necessidade de bolar um controle direcional durante a queda do mesmo. Na descida um paraquedas era acionado, e isto aumentava o tempo em que o foguete ficava no ar, dando mais tempo para o grupo calcular onde o foguete iria cair.

Leonardo e o resto do seu grupo foram convidados para a feira de ciências de Santa Maria na UFSM. Os Garotos ficaram em 1º lugar na competição. O que garantiu a vitória do grupo foi o propósito que eles deram aos foguetes: futuramente os foguetes iriam subir acima das nuvens e soltar nitrato de prata, para que as mesmas em uma reação química produzissem chuva. Durante a competição a RBS gravou imagens da feira de ciências e em Ijuí, no CEAP, o grupo e sua professora, chamada Jorgina, foram entrevistados pela emissora. A entrevista e as imagens foram repassadas de Porto Alegre a todo Rio Grande do Sul. Houve uma segunda apresentação dos colegas no Parque de Exposições Wanderley Burmann em 2001. Lá foi lançado um foguete e sua trajetória foi perfeita, porém na descida o vento fez o foguete desviar seu caminho e foi em direção as pessoas. O foguete não caiu em nenhuma pessoa da platéia, apesar deste fato foi uma grande apresentação.

O grupo fazia os testes com os foguetes na AABB, no Campo do CEAP, no Parque de Exposições Wanderley Burmann e no Aeroporto de Ijuí. Durante um teste na AABB o grupo deixou em cima de uma das mesas de concreto, uma grande quantidade de pólvora preta, equipamentos como uma câmera (emprestada pelo CEAP), motores e os foguetes. Um componente do grupo estava sentado em um banco próximo à mesa acendendo e apagando um isqueiro, uma faísca saltou e caiu em cima da pólvora preta, e como havia em grande quantidade, explodiu as câmeras, os motores, os foguetes e suas peças, rachando a mesa de concreto. A câmera foi paga pelo CEAP e a mesa foi paga pelo pai do menino que causou a explosão.

Após o incidente ocorrido na AABB o grupo ficou desanimado e sem motivação para continuar o projeto. Atingindo seu objetivo que era fazer os foguetes subirem a uma grande altitude sem curvas, os integrantes do projeto Ícaro lançaram no total cerca de 30 foguetes. Fazendo um paralelo com o filme “Céu de Outubro”, onde o mentor intelectual do grupo tornou-se engenheiro da NASA, Leonardo Vinicius Petersen, após cursar a Academia da Força Aérea por quatro anos se tornou piloto da Força Aérea Brasileira.

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