Bárbara Massafra
Pracinhas são lugares mágicos. As crianças morariam em uma dessas, se essa possibilidade existisse. Já os adultos sempre relembram com saudade, e certamente com alegria, das inúmeras brincadeiras que duravam até o anoitecer e dos tênis e roupas sempre sujos de barro ou tinta guash ao olhar para os atuais playgrounds. Não sou adulta, mas já possuo na memória um lugar especial para a pracinha mais importante da minha e, principalmente, para o que talvez seja o momento mais marcante da minha infância.
Porém, para que tudo isso faça sentido, preciso dizer que mais fascinante do que uma pracinha por si só, é ter a oportunidade de entrar para a história da escola em que aprendemos a crescer através de uma dessas.
Eu tinha aproximadamente quatro anos de idade. Estávamos desde a manhã no campo do Colégio Evangélico Augusto Pestana, onde estudo desde o maternal. E foi a partir do maternal que esse “estávamos” pode se concretizar, pois foi durante essa fase que conheci algumas das pessoas mais incríveis e admiráveis de toda a minha vida. E declaro com grande orgulho e felicidade que posso chamá-las de amigas, e amigos, até hoje. Foram esses amigos e presenciaram e viveram comigo aquele momento inesquecível.
Era fim de tarde, o sol se punha, e alunos de diversas séries se aglomeravam para o que estava por vir. Não importava a idade, a altura, ou o sexo. Todos tinham o mesmo objetivo, procuravam pela mesma coisa. Não sei dizer o que se passava pelo meu coração ou pela minha mente naquele momento. Só sabia que lá era o meu lugar, desde o início. Eu precisava chegar lá. Somente lá eu estaria em paz. Instantes depois de passar por dezenas de outras crianças eufóricas, eu finalmente pude tocar naquelas grades, pude enxergar todos aqueles brinquedos me esperando, do outro lado do portão diante de mim. E só então eu percebi que estava fazendo muito mais do que satisfazer meus desejos e os das outras crianças. Eu estava participando ativamente da história, construindo-a, continuando-a. Não de um estado, ou um país inteiro, mas de um verdadeiro mundo: a minha escola. Infelizmente não consigo lembrar-me do nome do diretor da escola naquela época, mas se fechar os olhos e me concentrar naquele exato momento, ainda posso ouvir sua voz dizendo que a pracinha estava aberta. Uma alegria inexplicável e um sentimento súbito de libertação me tomaram por completo ao som daquelas palavras e não pensei duas vezes em empurrar aqueles portões e encontrar o lugar pelo qual eu tanto havia esperado. Logo atrás de mim vinham meu irmão e outros amigos. Até hoje me lembro de seus sorrisos. Aquele momento era a verdadeira materialização da felicidade. Por muito tempo fiquei conhecida como “a menina da pracinha”. E eu tinha orgulho disso. Sentia-me bem em saber que eu havia feito algo importante pelo colégio que me fornecera as coisas mais importantes de minha vida. Respeito. Amor. Amizade. Responsabilidade. Acredito que foi um modo de agradecimento antecipado, que felizmente pode ser registrado.
Fotografias representam muito mais do que apenas imagens congeladas do passado. Elas transmitem sentimentos. Podem fazer relembrarmos momentos tristes, mas também de extrema felicidade, como o que acabei de contar. Toda vez que olho para aquela foto, do exato momento em que entrei na pracinha, revivo toda a minha infância, ou pelo menos parte dela. Foi assim que percebi, com meus quinze anos de idade, que na verdade a escola faz parte de nós. Faz parte de quem nós somos. De nossas opiniões. Talvez eu não seria a pessoa em que me tornei hoje se eu não tivesse inaugurado aquela pracinha, do Colégio Evangélico Augusto Pestana, quando criança. Não sou perfeita, cometo erros por ser quem eu sou. Mas se pudesse voltar no passado, para aquela pracinha, eu faria tudo de novo. Pois não me arrependo por nenhum segundo de ter entrado para a história do colégio que me ensinou, acima de tudo, a viver.
9-11/09 - 32ª ATESE
11/09 - Final 2º trimestre
10-11/09 - Mercado das Pulgas
16/09 - Show musical - Auditório - 19h30
17/09 - Provões atrasados - 8h e 13h30