Andressa Netto Albrecht
Crianças, crianças... Malandragens à parte! Até hoje, ninguém descobriu como surge a malandragem dentro das pessoas, mais especificadamente nas crianças, em quem estas brotam indiscriminadamente. É cada caso que se faz que vale por dois! Cada coisa inimaginável e que, incrivelmente, desde os primórdios do universo, nunca precisou de professor algum para ensinar, é tudo “vapt vupt”, num estalar de dedos já aprontaram mais uma.
E no Colégio Evangélico Augusto Pestana, mais popularmente conhecido como CEAP, sabe aquele, aquele mesmo, que os alunos sempre questionaram tanto os professores só por causa do dito cujo nome em que dizia ‘Augusto Pestana’, mas por que ‘Augusto Pestana’ se nós estamos em Ijuí?! Mas bem, isso já é outra história... E convenhamos que criança é uma “coisa” que literalmente nunca faltou no tal Colégio Evangélico Augusto Pestana! É claro também que não tinha crianças de sobra, pois o CEAP é feito coração de mãe, sempre cabe mais um pra completar a turma. E com tantas crianças, sem falar nos pré-adolescentes, adolescentes e tal, obviamente malandragens, “pepinos” e uns “abacaxis” também sempre tinham de sobra para a direção resolver e dar um jeito, porque a galera com certeza não era nada fácil!
Porém, dentre tantas histórias que eu andei ouvindo sobre as “aprontações” que foram feitas no CEAP nesses 110 anos de existência, chamou-me mais a atenção uma que provavelmente por muitos passaria despercebida, mas eu não pude deixar de notar o brilho que havia nos olhos daquela vovó ao me contar que em tempos tão difíceis como os em que ela viveu e fez a sua história, ainda restava um pouco, porém suficiente, de alegria pra continuar os passos e da tal malandragem existente dentro, e bem lá no fundo, de todos nós para aprontar alguma “estripulia”, como ela mesma disse, no colégio. Sabe, pode até ser que a história dela não seja lá essas coisas e que se passe como um fato insignificante e sem nada de emocionante, porém o brilho e a emoção daquele olhar eram tão sinceros que a história, como que com magia, transformava-se em uma grande aventura burlando as regras. O início até parece coisa de filme, mas em um certo dia, a garota certinha e seus dois irmãos “pivetes” estavam indo novamente para o CEAP para mais um duro dia de aula. Naquela época não era fácil, o pai deles havia morrido e a mãe fazia o possível (e o impossível) para conseguir sustentar a família, o que também fez com que os filhos tivessem que começar a trabalhar muito cedo, tendo que estudar e trabalhar ao mesmo tempo, o que se tornava muito exaustivo, mas eles persistiam firmes honrando o esforço e trabalho da mãe. Porém, apesar de tudo, eles não deixavam de ser crianças e também queriam deixar suas marcas na história.
Ela sempre fazia tudo certinho, tinha boa fama, era humilde e calma, já eles também tinham uma boa fama, mas uma boa fama ao contrário da dela, fama de brigões e travessos, e com certeza de não serem nada tranquilos.
E mais uma vez os irmãos “travessos” haviam resolvido arrumar briga com um dos “valentões” da turma dos mais velhos, só que dessa vez eles conseguiram arrumar uma bela de uma confusão, e o “chefão” dos mais velhos já tinha deixado bem claro, os irmãos “dupla dinâmica” não passariam daquele dia, e até o ponto já estava marcado, o fim seria na saída da escola, eles não aguentavam mais esperar o sinal tocar para colocar o plano em ação. E os irmãos, é claro, já imaginavam que estavam de tempo contado, que teriam de ser muito ágeis para poder escapar de mais esta enrascada, que tinha tudo para ser a pior e última também.
O sinal tocou, e desta vez o fim soava mais para início de tudo, todos já estavam saindo, ela saiu discretamente, os “malvados” já estavam à espreita, e os irmãos, incessantes pela fuga, foram surpreendidos, e aí começou a correria. Eram os irmãos fugindo em disparada, logo seguidos pelo “brutamonte”, e logo atrás, mas não muito distante, ela, que logo sentira o cheiro de confusão, perseguia-os com o intuito de ajudar os seus irmãos. Era um dia chuvoso, ela portava consigo um guarda-chuva, não sabia mais o que fazer, estavam num gato e rato dentro do colégio, acelerou o passo e ao ver que seus irmãos já estavam quase se dando por vencidos e sendo alcançados, ela tentou sua maior proeza, se esticou ao máximo que pôde e dando um “biquinho” no chão úmido lançou seu braço à frente com seu guarda-chuva, fazendo com que o cabo deste enroscasse nas canelas do menino e o fizesse levar um grande tombo espalhafatoso. Não preciso nem dizer que o garoto teve de ser encaminhado a uma enfermaria e muito menos o destino dos três irmãos, que logicamente ficaram bem encrencados com o diretor. Ela, como era a primeira vez que ia para a direção, logo entrou em pânico, desatou no choro como nunca fizera temendo o pior, tanto na escola quanto em casa, pois o que diria a mãe ao saber que todos seus filhos haviam sido encaminhados à direção?! Mas eles, ah, fazer o que né?! Acontece, diziam eles. Então, vendo o desespero dela e sabendo que ela não era nenhuma menina encrenqueira e que só tinha feito aquilo para proteger os irmãos logo a acalmou e liberou. Só não digo o mesmo dos meninos, os quais nenhum escapou por um milímetro sequer da baita fúria do diretor, que já não aguentava mais as estripulias desses garotos, que sempre deixavam o que falar, e olha que não eram nada bons os comentários!!
Mas além do “julgamento” de “inocente ou culpado” do diretor, ainda tinham que dar boas explicações à mãe preocupada, além de nada feliz, mas com esta eles não tiveram tanta sorte, nem ela que não fizera, digamos que, praticamente nada. Pois é, literalmente, naquela tarde, antes de qualquer coisa, eles sim, com toda certeza... “ENTRARAM PARA O CHINELO”!!!