CEAP, a escola da família

Coragem para vencer / Courage to win / Coraje para superar

Autor: Pastor Olmiro Ribeiro Junior

          Nesse tempo de competições globalizadas, surge a pergunta: o que faz um time, um técnico, um atleta ser um vencedor e outro não? Ninguém quer ser um perdedor, em nenhuma circunstância.
          Perder é sinônimo de fracasso, incompetência. O mercado exige o vencedor, valoriza a intrepidez, a ousadia, a raça. E isso acaba virando sinônimo de coragem. O que não nos damos conta é que a coragem pode servir para tudo, tanto para o bem como para o mal. Ser vencedor não quer dizer absolutamente ser corajoso e nem sempre aquele que vence é o que possui tal virtude. A coragem é a virtude de entender quem somos e, ainda assim, enfrentar os riscos de se atingir um objetivo maior. É uma forma de inteligência que nos ajuda a enfrentar o medo, a tomar decisões e a agir.
          Ser corajoso não é viver sem medo nem ser ousado diante dos perigos, mas é colocar a vida em risco por uma causa que vale à pena ou mesmo tomar a decisão de se preservar. O covarde ou medroso é dependente de seu medo, mas o corajoso é aquele que orienta a sua ação entre a ousadia e a prudência. Em nossa cultura, aprendemos que temos o controle de nosso sucesso ou fracasso. Queremos ter o controle de tudo, do outro, dos resultados, das causas. Quando isto não acontece, o sentimento de culpa ganha um novo sentido, o medo de fracassar.
          Esse medo se justifica diante dos desafios e metas que traçamos para nós mesmos, quando nos perdemos em meio às exigências de superar as nossas deficiências em face da competitividade da vida. E é assim mesmo. As oportunidades não são iguais para todos e não há espaço para todos. Mas ninguém precisa se sentir inferior por isso. A coragem está no fato de que podemos seguir adiante, apesar das circunstâncias, na certeza de que o melhor de Deus pra nossa vida está por vir. (Artigo publicado no jornal Orla.com Você, junho de 2010)
 
          Desta maneira, podemos refletir sobre a crucificação do técnico Dunga, não ganhou a copa, e por isso, é incompetente, e, até mesmo, burro. Descarta-se todo um trabalho que foi realizado e que não atingiu seu ápice. Mas que resgatou o amor à camisa brasileira. Logicamente que é somente um esporte, uma prática de massa, cheio de interesses financeiros. Dessa maneira, podemos nos reportar para a nossa vida e como enfrentamos e nos posicionamos diante dos fracassos, ou derrotas por que passamos e quando desqualificamos toda uma prática, pessoa, evento, proposta, simplesmente porque ela não atingiu seu resultado idealizado.
          Necessitamos aprender a ser críticos sem sermos depreciativos, a enfrentar as derrotas, as doenças, o caos que nos cerca como parte da vida a ser trabalhado e enfrentado e não simplesmente achando-se culpados... Mas encontrando pessoas que na fé, na esperança e no amor estejam conosco nas vitórias e derrotas que a vida nos presenteia.
          A vida tem mais encantos e desencantos que nosso pobre entendimento.
Pastor Olmiro Ribeiro Junior
Horizontina/RS

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